Estudo comparativo entre diversos cursos a distância

Já frequentei diversos cursos a distância, assim como presenciais. Assim, convido a todos a debater sobre o que o mercado está oferecendo (e a entender os seus porquês).

Entre 2010 e 2011 a pedagoga da nossa empresa fez dois cursos de pós graduação na Fundação Getúlio Vargas.  Contudo, antes de “fechar” o curso, ficamos indecisos, afinal o investimento era alto.  No meio do processo decisório sobre cursar ou não, que aparentemente estava demorando, recebemos uma ligação da própria Fundação Getúlio Vargas. A coordenadora Pedagógica falou coisas que não tínhamos como negar: se fizéssemos o curso ou não, a FGV iria continuar existindo, mas nós teríamos mais conteúdo APÓS o término do curso, sem contar com o peso daquele diploma.  Então chegamos a primeira conclusão antes mesmo do curso começar:

– Eles têm equipe.

O investimento foi expressivo e esta é a senha para qualquer um ficar exigente.  Eles não decepcionaram. O material didático chegou em casa e com qualidade de impressão invejável, acompanhado de um DVD.  Era possível obter o mesmo material via download, mas o conforto de ver aquele conteúdo chegando pelo correio assombra.  Lembro também que havia um manual de utilização do sistema de ensino a distância deles (Moodle).  O curso era interessante.  Os professores demonstravam bastante conhecimento e fizeram algo marcante: mandaram fazer um trabalho em grupo.  Ora… idéia diferente! Cada um teve que pegar uma parte, pesquisar a fundo e passar para os outros colegas do grupo a fim de haver uma futura apresentação para toda a turma.  Outras coisas marcantes foram as características automáticas do próprio sistema de ensino a distância. Quando ficávamos dois dias sem acessá-lo recebíamos um e-mail de alerta. Ficava difícil “sumir”.  Nem tudo foi excelente.  Infelizmente o próprio sistema de ensino era complexo demais e o aluno tinha que perder muito tempo até “pegar” a coisa.  Da mesma forma era necessário entrar com login e senha duas vezes, algo que achei imperdoável, em termos de engenharia.  No primeiro login o aluno acessava a FGV e no segundo o Moodle.

Entre 2011 e 2012 fiz cursos na “TreinaWeb”, empresa bem conhecida da área de T.I.  O sistema de ensino a distância é realmente MUITO BOM. Acho que é o melhor que eu já vi.  Cada lição vem com uma espécie de “prova on line” e só é possível passar para uma próxima fase tendo vencido o desafio corrente.  Contudo os cursos da “TreinaWeb” são assíncronos, ou seja, tutor (o professor em ensino a distância é chamado assim) e aluno nunca estão ao mesmo tempo trocando informações. Fica muito difícil fazer um curso de linguagem de programação desta forma. SEMPRE dá erro.  É irritante ficar sem poder resolver na mesma hora. O aluno perde o interesse.  O conteúdo dos cursos da TreinaWeb é raso, mas condizentes com os preços.  Recentemente fiquei sabendo de determinado curso deles de forma síncrona, dinâmico. Vou ficar devendo esta avaliação.

Em 2012 fiz uns dois cursos na 4Linux, outra empresa conhecidíssima do pessoal de T.I.  O sistema de ensino a distância é Moodle, porém muito simples.  A FGV pecou pelo excesso, pois havia uns mil desenhos animados feitos em Flash sobre cada lição.  Isso não é muito bem tolerado pelos mais velhos ou mais carrancudos, além de encarecer o produto final.  A 4Linux ministrou um dos cursos mais fantásticos que eu já tive a oportunidade de usufruir, tudo porque apresentou os seguintes fatores:

– equipe bem treinada;

simplicidade do sistema de EAD (não precisei ficar quebrando minha cabeça pra saber operar);

bons tutores.

O processo pedagógico é muito bom.  O professor fica online por certo tempo, em horário marcado, ministrando de sua casa por uma ferramenta de chat online incrementada.  Havia desafios durante a aula e após a mesma éramos desafiados a entregar um projeto para o dia seguinte. Para realizar o tal desafio não adiantava recorrer ao material didático fornecido pelo curso. Era indispensável viajar pela internet e ser açoitado um pouco.

Esta “obrigação” de pesquisar para produzir conhecimento é o grande diferencial do EAD.  Esta é a máxima do EAD: suprir a ausência física de um professor com pesquisa e interesse. O professor deixa de ser um semi-Deus do conhecimento e passa a ser um “fiscal da aprendizagem”.

Deixarei pra um próximo post meus comentários sobre outros cursos.

Fico devendo a todos uma análise dos cursos gratuitos da FGV. É óbvio para mim que trata-se de excelente estratégia de marketing oferecer conteúdo sem custo ao usuário.  Pouco importa se ninguém cursa nada.

O site é cheio de patrocinadores.

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5 comments

  • Rosangela

    Rosangela

    Responder

    A preocupação do tutor e fazer com que os alunos acessem as suas atividades também me causa boa impressão. É interessante essa postura, pois faz com que mudemos nossa forma de pensar sobre a educação á distância, onde talvez não haja uma “cobrança” dos seus participantes. O papel do Professor Tutor é relevante.

  • Gilberto C. Alves

    Gilberto C. Alves

    Responder

    Nos dias de hoje para se qualificar não precisa sair de sua casa, estamos caminhando para uma era totalmente digitalizada, onde podemos obter informações precisas sobre qualquer assunto.
    O professor tutor é responsável pela motivação e interatividade dos alunos perante o curso para que o rendimento não caia.

  • Tânia

    Tânia

    Responder

    Realmente concordo com o Gilberto. Também tive a oportunidade de fazer outro curso EAD e quando eu falhava ou tinha alguma dificuldade, imediatamente a tutora entrava em contato comigo, inclusive via fone para saber o que acontecia e me estimular. Acho que isso foi muito bom e me fez seguir em frente. Sabemos que os índices daqueles que abandonam os cursos EAD é grande e creio que uma forma mais pessoal de interagir, serviria de estímulo para se continuar. Pra mim funcionou, pois me senti alguem importante e creio que outras pessoas tambem se sentiriam.

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