Escola particular X Escola pública = a grande conclusão sobre qual é a melhor

Escola particular X Escola pública = a grande conclusão sobre qual é a melhor

Plataforma EAD Recentemente li um artigo de certo representante das escolas particulares. A publicação dizia que segundo um novo processo de avaliação do Enem, o descolamento de desempenho dos alunos das escolas públicas em relação a alunos de escolas particulares aumentou muito. Assim, estudantes das escolas particulares tinham grandes vantagens sobre os seus colegas das escolas públicas por conta da tecnologia empregada nas instituições mais abastadas.

Eis que minha mente voltou mais de trinta anos, pelo menos.

Escola municipal George Pfísterer: bom… eu não lembro o ano. Cursei da primeira até a quarta-série. A professora de matemática ensinava ciências, sentada na mesa, nitidamente aprendendo junto com a classe. Engraçado que eu devia ter uns oito anos, mas me lembro bem de certas coias: eu não gostava da merenda e não comia (só quanto tinha arroz doce). Todo santo dia eu ganhava dezoito cruzeiros e na cantina eu comprava uma batata frita e duas balas Juquinhas. Contadinho. Mas eu amava. Acho que palavra tecnologia nem havia sido inventada.

Colégio Pedro II, escola federal onde estudei da quinta-série até o terceiro ano científico. O termo tecnologia nasceu no meu vocabulário, mas estava resumido ao Atari, TK 85, TK 2.000 e para quem tivesse muito dinheiro o CP 500. Outra coisa que eu me lembro bem foi o dia que uma professora precisou distribuir umas fotocópias pra turma. Ela pediu com dois dias de antecedência o que seria hoje alguns trocados de cada um. Cada aluno precisou assinar numa lista e pagar. Eu paguei aquilo com moedas. Inúmeras.

Eu jamais esqueci.

Recordo que recebi várias cartas da diretoria do Colégio Pedro II por desempenho escolar impecável, ano a ano. Mas entre o primeiro e o terceiro ano minhas notas caíram, precisamente quando minha família ficou menor, ruiu.

Li com atenção o curriculum do diretor que quis explicar a razão do sucesso das escolas particulares. Um homem cheio de títulos em universidades estrangeiras. Em seu artigo, para desvalorizar as escolas públicas, ele as elogiou. Assim, sutilmente expôs suas fraquezas. Um mestre.

Muito recentemente, há poucos anos atrás, analisei alguns livros das escolas particulares que frequentaram aquelas que considero minhas filhas. Reparei que alguns livros continham referências a certo site onde haviam interessantes explicações complementares, além de exercícios propostos. Percebi que aquilo era ignorado tanto por alunos quanto por professores. Fico imaginando quantas moedas eu precisaria naquela época para pagar um único passeio escolar das minhas filhas hoje.

Concluo que gloriosos são os dias de dificuldade. Que o que nos falta do palpável abunda no que não se toca: entendimento.

Eis o mistério do desempenho melhor dos alunos das escolas particulares:

“Família”: o alicerce de qualquer criança. Uns correm de tênis. Outros não tem chão.

Procurei aquela batatinha frita outro dia. A fábrica faliu.

Mas tem bala Juquinha até hoje.

Então está tudo bem.

Amém.

Related Posts

2 comments

  • Tânia Amorim

    Tânia Amorim

    Responder

    Olá Alessandro… Gostei do artigo e você até me fez voltar no tempo. Realmente saudades das balas juquinhas pelos corredores da escola. Não tive oportunidade de estudar no Pedro II.Todo meu ensino fundamental e médio, cursado em escola pública que em alguns momentos funcionava com 5 turnos, ou seja, número de horas reduzidissimo, porém o interessante é que aprendiamos. O valor que dávamos a educação era algo muito grande. Lembro-me claramente de minha saudosa mãe dizendo que se queriamos alcançar algo melhor na vida, precisariamos estudar, pois senão continuariamos a passar por muitas dificuldades. Graças a Deusnt, nos formamos, eu e minha irmã. Fizemos nossa pós graduação e tudo mais. Hoje leciono tanto no superior como também na escola pública e o que vejo são alunos que infelizmente não recebem da família a valorização ao conhecimento. Educação e conhecimento se tornou algo banalizado. Fiz uma pesquisa recentemente para um artigo e constatei que quando se quer aprender, aprende-se por qualquer caminho. Então, tecnologia é só uma muleta para aqueles que realmente não querem aprender. Abs

Leave your reply

*" value="" aria-required='true' />
*" value="" aria-required='true' />