A função do Tutor em um sistema de ensino a distância ( EAD )

Há alguns anos atrás eu pensei que tinha aprendido o que fazia o Tutor em um sistema de ensino a distância (EAD).  Como ele é o primeiro a ter contato direto com o aluno em um curso achei que sabia de tudo, porque justamente é assim no sistema presencial.

Quando analisei as fuções do usuário “tutor” na plataforma de ensino a distância, percebi que certas funções estavam a cargo da secretaria, como upload de arquivos para os alunos. Havia também um sistema paralelo que cutucava este profissional em caso de demora na resposta dos alunos.

Confesso que achava certo absurdo o tutor não fazer o upload do próprio material didático.  Afinal, tratava-se de um curso a distância; não presencial.  Será que dá tanto trabalho subir uma apostila e responder dúvidas dos alunos de dentro de casa?

Então visitei um estúdio e durante a entrevista aprendi que em EAD o tipo de letra em uma apresentação de powerpoint é fundamental, assim como o tamanho da fonte e as cores.  O simples contraste do fundo da tela com o conteúdo pode estragar a filmagem.

Observei um tutor lutando para gravar sua primeira aula online em um estúdio fechado, encarando uma câmera impiedosa, sem expressão.  Imaginei este mesmo Professor em uma sala de aula presencial encarando alunos e sentindo suas reações, enquanto variava seu tom de voz acordando ou desacelerando toda uma classe.  Qual é o feedback de uma lente?

Continuei a investigar o Tutor.

Tive a oportunidade de acompanhar um curso de pós de Direito Digital da Fundação Getúlio Vargas, ainda crendo que EAD era levemente entediante.  A primeira coisa que notei neste curso foi a  ausência de vídeos.  Percebi que havia fartas animações, embora isso esteja longe das minhas predileções.  A plataforma de ensino a distância foi considerada complexa demais, exigindo certo trabalho para assimilar toda a sua potencialidade. No entanto, o curso foi um dos mais interessantes que eu já tive a oportunidade de acompanhar e tudo isso por causa de um único usuário:

O Tutor.

O tutor, diante do material didático exposto no sistema de EAD, abordava suas opiniões, ora em um chat ou num Fórum.  Depois organizou a turma em grupos, incitando os alunos a procurar jurisprudências e entendimentos dos diferentes tribunais pelo país.  A experiência foi tão enriquecedora que aprendi algo que nunca soube lidar desde o ginásio: um dos integrantes do grupo “sumiu”.  Indagado, o tutor exprimiu uma opinião que nos levou a seguinte conclusão brilhante e óbvia:

“Cada um tem que saber da sua responsabilidade”.

O tutor incendiou a classe sem que nenhum aluno “roubasse a cena”, tentando ser um Sol, fato que é comuníssimo em um sistema presencial de ensino.

Continuei a investigar o tutor.

Há algum tempo atrás analisei programa interessante que converte documento pdf em livros digitais (http://issuu.com/business/landing/reader) e um outro que publica na net suas apresentações (http://www.slideshare.net/ ), ambos gratuitos.  Entendi que um tutor precisa de tempo para pensar em como manter uma turma ocupada, aliciando seus alunos à busca do conhecimento e discussão civilizada, ajudando este país a ser melhor.

Decidi que é melhor permitir que o tarefas menos nobres como investigar o avanço da tecnologia e disponibilização de material didático fique a cargo de outros.  O tutor tem mais o que fazer.

E justamente quando eu acreditei que a vida do tutor era só de nobreza e glória, houve um problema inesperado no sistema de ensino de certo curso preparatório para concurso público.

Neste momento eu pude ler o conteúdo das reclamações que caíram na cabeça do tutor. Degustei o tom e a forma de escrever de alguns alunos.

Foi só ai que eu pude conhecer perfeitamente o tutor e a coroa que deveria estar em sua cabeça.

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